Opinião

Breve reflexão sobre pérolas (e jacas).

Costumo dizer que existem dois tipos de pessoas, as que sabem e as que não sabem que precisam de terapia.

Normalmente a maioria das pessoas procura esse tipo de ajuda quando está enfrentando dificuldades, algo como ir ao dentista quando dói o dente. Não é o ideal, mas muito melhor do que não lidar com a dor.

Fiz terapia durante anos…

Como quase todo mundo cheguei ao “divã” em frangalhos, mas ao final o resultado foi muito bom, desenvolvi uma boa musculatura emocional para lidar com adversidades que são parte da vida.

Das tantas lições que aprendi, uma delas diz respeito as expectativas que nutrimos em relações as pessoas, seja qual for o nível de relacionamento, do pessoal ao profissional.

Aprendizado vital, mas por vezes custoso e dolorido, lidar com o outro é chave-mestra para a vida.

Não raro oferecemos nosso melhor e a contrapartida a isso pode ser muito frustrante. Mais comum ainda é trazermos para nós mesmos a “culpa” por essa frustração. A responsabilidade é nossa, já a culpa não…

É muito importante ter em mente que as pessoas tem suas limitações e por vezes não retribuírem por aquilo que lhes é oferecido não diz sobre o merecimento de quem deu, mas sobre a incapacidade de quem recebeu e a quem caberia o papel de reconhecimento e retribuição.

A sabedoria popular por vezes reduz de forma cruel (mas certeira) aprendizados que são vitais.

Dois ensinamentos falam sobre expectativas e não gastar o seu melhor com quem não é capaz de perceber isso.

O primeiro ensinamento, mais conhecido, de origem bíblica é que “não adianta dar pérolas para porcos”. A natureza dos “porcos” é chafurdar, por conta disso mal conseguem perceber um mínimo do que está além de seus narizes.

(“Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão”, Mateus 7:6 )

O outro ensinamento é: “jaqueira não dá rosa, só da jaca”. Se você ficar debaixo de uma jaqueira olhando pra cima, não espere que nada diferente de uma jaca caia na sua cabeça.

Cuidado com as jacas.

Quando, mesmo buscando dar seu melhor, você não receber o devido reconhecimento, lembre-se sempre que jaqueiras dão jacas e que porcos não sabem a diferença entre lavagem e pérolas.

Não alimente expectativas indevidas e diante da falta de reconhecimento lamente, não pela falta de seu mérito, mas pela limitação de quem não for capaz de percebê-lo.

O mundo que você almeja começa por você.

Se você mesmo não for capaz de se amar e se respeitar, não espere isso de ninguém mais.

Esses dias lembrei das minhas sessões de terapia, distraído, despejei uma caixa de pérolas em um chiqueiro. O resultado a gente já sabe…

O bom é que nenhuma jaca caiu na minha cabeça, minha distração não foi tanta.

(Afortunado, das pessoas que amo recebo mais do que mereço).

Em tempo:

Texto dedicado à Álcea Maria David Abujamra, que tanto me ensinou sobre pérolas… e jacas.

Marcelo Porto

Gênio do truco, amante de poker, paraíba tagarela metido à besta, tudólogo confesso que insiste em opinar sobre o mundo ao meu redor. Atuando no mercado financeiro desde 1986, Marcelo Porto, 54, também é Administrador de Empresas e MBA em Mercado de Capitais.

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