Confissão de culpa

Digamos que você receba uma bolada de R$ 2,627 milhões e mais uma herança de R$ 873 mil, totalizando R$ 3,5 milhões. Imediatamente, você aplica esse dinheiro em um CDB. Depois de um ano, esses R$ 3,5 milhões se transformam em R$ 4 milhões. Você então resgata esses R$ 4 milhões do CDB e aplica em um fundo DI, e passa a resgatar desse fundo DI para as suas despesas, gastando todo o dinheiro em 3 anos.
O total de créditos na sua conta seria:
R$ 3,5 milhões da bolada inicial
R$ 4 milhões resgatados do CDB
R$ 4 milhões resgatados do fundo DI
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Total: R$ 11,5 milhões
Essa conta foi uma tentativa de conciliação do resultado a que chegou o jornalista Luís Nassif para tentar explicar os 19,5 milhões movimentados na conta de Lulinha em 4 anos (aqui, gentileza do amigo Alex Branco). Como se vê, não chegou nem perto.
Nassif chega a uma renda de R$54 mil/mês, um quarto daquela a que cheguei em um post de alguns dias atrás. A conta que ele faz não tem pé nem cabeça. Digamos que, realmente, Lulinha tenha, segundo a hipótese do jornalista, resgatado R$ 4 milhões de uma aplicação para aplicar em uma outra. O total de créditos deveria ser o seguinte:
R$ 7,75 milhões da bolada inicial, aplicados inicialmente no CDB
R$ 7,75 milhões resgatados do CDB, dos quais R$ 4 milhões foram para um fundo DI
R$ 4 milhões resgatados do fundo DI
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Total: R$ 19,5 milhões
Dos R$ 7,75 milhões, cerca de R$ 900 mil foram recebidos em herança, sobrando para explicar R$ 6,85 milhões em 4 anos, ou cerca de R$ 140 mil/mês, e não os R$ 54 mil/mês a que a matemágica do jornalista chapa branca chegou. Na verdade é um pouco menos, porque tem os rendimentos das aplicações, mas quis fazer uma conta nos mesmos termos da conta do jornalista.
Eu fiz essa mesma conta em agosto do ano passado, quando a manchete era que Bolsonaro havia movimentado R$ 30 milhões em um ano. No caso, eram quase R$ 20 milhões de PIX de mais 1 milhão de apoiadores e o restante de resgate de aplicações.
A diferença para o caso de Lulinha é que Bolsonaro tinha como explicar a origem do dinheiro. Já o Ronaldinho dos negócios tem, segundo o prerrogativento Marco Aurélio de Carvalho, “uma atividade meramente privada, sobre a qual ele não pretende falar”.

Receber o equivalente a mais de R$ 100 mil/mês e não querer falar sobre a atividade que deu origem a essa renda é, em si, uma confissão de culpa.




