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Um oásis na educação brasileira!

Resultados do Paraná mostram o caminho para educação no Brasil

Vou mudar um pouco o foco da conversa, ultimamente drenada pelo mar de lama em que se converteu nosso stf de letras minúsculas. Vamos falar do Brasil que se esforça para dar certo, porque há exemplos nesse sentido.

O tema aqui será educação, um assunto subestimado, maltratado e usualmente exemplo de gastos mal feitos, ineficiência e resultados medíocres no Brasil, historicamente muito mal colocado nos rankings internacionais.

O destaque vai para o estado do Paraná, que tem produzido uma revolução em seus indicadores de educação, descolando-se de maneira significativa da média nacional. Há alguns anos, o estado assumiu a liderança nos rankings locais e se fosse avaliado como um país, não faria feio no ranking mundial medido pelo afamado teste PISA.

Em Leitura, estaria muito próximo da média da OCDE, à frente de muitos países europeus, em 28º lugar entre 91 países e economias. Em Ciências, seria o 38º, próximo do primeiro terço. Em Matemática, calcanhar de Aquiles brasileiro, ficaria em 47º lugar, praticamente no meio da tabela. Isso colocaria o estado à frente de todos os países latino-americanos nos três quesitos.

Um desempenho muito superior ao do Brasil, que, depois de avanços importantes nas primeiras edições do PISA, praticamente estacionou. Em 2009, o país registrava 412 pontos em Leitura, 386 em Matemática e 405 em Ciências. Dezesseis anos depois, em 2025, os resultados são 408, 377 e 409, respectivamente. Ou seja, em uma década e meia, andamos de lado: recuamos em Leitura e Matemática e avançamos apenas quatro pontos em Ciências.

O trabalho do Paraná nesse sentido merece todos os aplausos. E cabe outro destaque: o segundo melhor estado do Brasil nesse mesmo teste é São Paulo, que ficou atrás apenas do Paraná nas três áreas avaliadas. A evolução paulista também chama atenção. O estado ocupava apenas a 11ª posição entre as unidades da Federação em 2006, passou para 7º em 2009 e 2012, 6º em 2015 e agora chegou ao 2º lugar. Uma arrancada importante para quem, apesar de ser o grande motor da economia brasileira, durante muitos anos apresentou resultados educacionais incompatíveis com seu peso econômico.

Há ainda uma coincidência interessante entre os dois estados: Renato Feder. Ele foi secretário de Educação do Paraná na primeira gestão de Ratinho Junior e desde 2023, ocupa a mesma função em São Paulo, na gestão Tarcísio de Freitas. Feder migrou do mundo corporativo, onde foi CEO da Multilaser, para o setor público, com foco em educação.

Evidentemente, resultados educacionais são construídos ao longo de muitos anos e por sucessivas gestões, mas sua passagem pelas duas redes que hoje ocupam as primeiras posições do país não deixa de ser um dado relevante. Esses avanços, comprovados pelos números, falam por si. Não precisam de defesas apaixonadas ou ideológicas.

É óbvio que uma ambição adequada seria nos colocar no primeiro quartil ou mesmo no primeiro decil, figurando entre os dez melhores do mundo. Mas, alto lá, porque a natureza não dá saltos. Esse é um trabalho geracional, de formiguinha, que requer esforço, foco e resiliência. Os resultados também aparecem no longo prazo.

Para um país acostumado a passar vergonha nos rankings globais, quase sempre na “zona de rebaixamento” da educação, ter uma unidade da Federação no meio da tabela, com viés de melhora, chegando a deixar para trás importantes  países europeus, é motivo de celebração e exemplo a ser seguido. É também uma prova de que não somos necessariamente um caso perdido.

Ps* Renato Feder, um bom nome para ministro da Educação. Fica a dica.

Victor Loyola

Victor Loyola, engenheiro eletrônico que faz carreira no mercado financeiro, e que desde 2012 alimenta seu blog com textos sobre os mais diversos assuntos, agora incluído sob a plataforma do Boteco, cuja missão é disseminar boa leitura, tanto como informação, quanto opinião.

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