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Sobre ‘serial killers’ e complacência: uma leitura pessimista

Até há pouco, não havia me atualizado sobre o caso do ‘serial killer’ que está dando nó nas Polícias de Goiás e Distrito Federal. Cedo ou tarde, será preso. A pergunta que eu faço: e depois disso?

Em 2007, aos 19 anos, Lázaro Barbosa de Souza iniciou sua jornada criminosa, pelo menos oficialmente, matando frivolamente dois homens que defendiam uma mulher pela qual supostamente o assassino estava apaixonado. Detido na Bahia, fugiu 10 dias depois. Em 2009 foi novamente preso e além dos homicídios, expunha também roubo e estupro na ficha corrida. Passaram-se cinco anos e ele foi para o “semiaberto”, mesmo após um laudo psicológico apontando claramente que voltaria a delinquir. Em 2016, favas contadas, fugiu. Recapturado em março de 2018, escapou novamente em julho daquele ano.

Reapareceu oficialmente em 2021, assassinando 4 pessoas da mesma família. Nesse momento, encontra-se foragido e mobiliza uma força tarefa das Polícias de Goiás e Distrito Federal.

Uma vez capturado, quanto tempo para ele obter um relaxamento de regime prisional? Em um país sério, um sujeito desses recebe pena de morte em locais onde ela é aplicada ou ‘perpétua’ onde não é. Alguém discorda?  E aqui? Bem, agora que foi alçado à condição de celebridade, aparecendo em ‘memes’ dos mais diversos Brasil afora, se bobear presenciaremos algum advogado disposto a defendê-lo com toda pompa, alegando problemas mentais… vai que ele consegue aquele ‘habeas corpus’ camarada no STF?

Me chama a atenção a facilidade com a qual um sujeito com duplo homicídio nas costas obteve um regime semiaberto (em 2014, após a prisão em 2009), a quantidade de vezes em que ele fugiu da prisão, e o fato de que as pessoas transformaram um ‘serial killer’ em protagonista de memes e piadas, como se fosso algo banal.

Recordo-me de algo similar ocorrido há alguns anos, quando o ex-goleiro Bruno, condenado pelo assassinato da mãe de seu filho, dava autógrafos em fila enquanto atuava em um time do interior, já em ‘regime aberto’.

Nas entrelinhas, é possível observar uma certa torcida pelo bandido. Eu não me surpreenderia se esse tal Lázaro Souza, se permitido, ganhasse uma eleição para deputado. Aliás, se um ‘Marcola da vida’ deixasse a cadeia e quisesse se tornar uma liderança política, teria um grande potencial.

Espero estar em pleno exercício de um pessimismo injustificado, mas se esse infeliz não morrer na cadeia (após ser preso), estará nas ruas (como hoje) em menos de 10 anos, quando no exercício da promessa de ressocialização, voltará a cometer crimes tão brutais quanto os que já fez.

Vivemos no país da tolerância com pequenos e grande delitos, uma sociedade complacente. Mas somos bem-humorados e bons de piada.

Victor Loyola

Victor Loyola, engenheiro eletrônico que faz carreira no mercado financeiro, e que desde 2012 alimenta seu blog com textos sobre os mais diversos assuntos, agora incluído sob a plataforma do Boteco, cuja missão é disseminar boa leitura, tanto como informação, quanto opinião.

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