Uma historinha de Natal

Da série “Para ler enquanto você ainda está sóbrio”;
“And so this is Christmas. And what have you done?”. John Lennon, um dos grandes cérebros da minha geração, fez este questionamento em forma de canção pouco antes do Natal de 1971, exatamente nove anos antes de ser estupidamente assassinado, pouco antes do Natal de 1980.
Hoje comemoramos o nascimento de Cristo. E se há uma frase que pode resumir tudo o que o Mestre pregou, é “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Cumprir esta divina determinação significa o fim de qualquer preconceito. Na mesma linha ouvi, não lembro exatamente quando nem onde, alguém dizer que a grandeza de uma crença não se mede pelo número de pessoas que ela exclui, mas sim pela sua capacidade de acolher todos. Independente de raça, gênero, opção sexual, política ou religiosa. Acho que foi o Dalai Lama, mas posso estar equivocado.
E o que nós temos feito? É só dar uma passadinha pelas redes antissociais prá ver que vivemos uma era de ódio generalizado. E o mais triste é que vejo como mais radicais justamente os que se dizem “do amor, do bem e da inclusão”. A palavra de ordem não é “Amar os diferentes”, mas sim “Odiar quem pensa diferente”. Não precisa ser um gênio prá entender que não foi este o discurso do aniversariante do dia. E vale dizer que Ele foi tão fiel às suas convicções que, até na hora da crucificação, pediu o perdão para seus algozes.
Vale dizer que Jesus nunca pediu para que fossemos cordeirinhos; que cada um defenda suas ideias, o debate é sempre importante. Não somos eunucos mentais, temos nossos pontos de vista e temos, acima de tudo, de defender o direito de cada um pensar como quiser – desde que dentro dos limites da civilidade e boa convivência, e claro. Não é tão difícil.
E aí vem a pergunta que não quer calar; se Jesus Cristo aparecesse na sua frente, na noite de hoje, você teria coragem de mostrar as suas postagens para Ele? Não vale mentir…
Enfim, Feliz Natal – prá todos, todas e todes. Que Deus nos ilumine.
Vida que segue.




