Dizem que Leo Messi passa os dias a caminhar pelo gramado, como quem passeia por um jardim de memórias, alheio ao vai-vém febril dos mortais que correm e marcam. Tolice. O gênio não caminha. Vigia o espaço, calcula o vento e espreita a eternidade.
O palco era a AT&T Stadium , em #dallas, privilegiada sede texana que brindou os olhos dos torcedores com os dois maiores espetáculos da FIFA World Cup: o eletrizante empate de Holanda e Japão e a apoteótica vitória da Inglaterra sobre a Croácia.
Nesta mesma grama sagrada, aos 95 minutos de uma noite de #copadomundo tensa e sufocante contra a Áustria, o camisa 10 decidiu desenhar o infinito em um punhado de segundos.
Com a explosão de um jovem e a precisão de um geômetra, quando as pernas de 39 anos de idade deveriam clamar por repouso, arrancou do seu próprio meio de campo, rente à linha lateral direita, a uma velocidade estimada em quase 30 quilômetros por hora para cruzar os 60 metros que o separavam do vértice esquerdo da pequena área adversária.
No meio do caminho, operou sua primeira metamorfose:
Fez-se meio-campista cerebral e, com uma visão que enxerga além do horizonte, desferiu uma assistência milimétrica de mais de 30 metros, desnorteando a defesa e deixando o companheiro cara a cara com o destino.
Mas o #futebol, essa arte caprichosa, exigiu mais.
Quando o chute parou no goleiro, #messi, antecipando o lance com o instinto dos prediletos de Deus, já estava lá para o rebote.
Duas vezes a bola teimou em não entrar; duas vezes ele insistiu com a fúria sagrada e a raça dos velhos centroavantes, até que, já quase caído, empurrou a redonda para o fundo da rede.
Em uma única e monumental jogada de poucos segundos, Ele realizou a Santíssima Trindade da bola:
Foi o ponta veloz que feriu o flanco, o maestro que pensou o jogo e o artilheiro implacável que não aceita a derrota.
Uma obra-prima que #ArmandoNogueira decerto resumiria assim:
“Messi não corre atrás da bola;
a história que corre para abraçá-lo.”
